Data/Hora

Domingo, 24 de Novembro de 2019

15.00 às 17.30

 bauhaus

 100 

ORADORES

Luís Baptista 

Pedro Bismarck

Ana Jara

Carolina Fangueiro

LOCAL

A Vida Portuguesa

Rua Nova do Desterro 21

1150-241 Lisboa 

A Bauhaus foi uma escola de arte e design alemã, cuja existência breve, mas influente, a tornou um marco incontornável no desenvolvimento de novos modelos de educação artística. «Nem sempre criamos “obras de arte”, mas sim experiências; não é nossa ambição encher museus: procuramos reunir “experiências”.», afirmou Josef Albers, demonstrando a importância atribuída à experimentação enquanto lugar pedagógico. Desde a Bauhaus à Black Mountain College, nas oficinas Global Tools (1973-75) e através do Sigma Group (1969-80), diversas iniciativas pedagógicas se afirmaram enquanto espaços educativos experimentais, gerando soluções inovadoras, assentes na partilha transdisciplinar de conhecimento, que abarcava campos tão diversos quanto a matemática, a cibernética, a psicologia, a arquitetura e as artes.

Estas iniciativas não só ajudaram o design a evoluir, questionando e impulsionando os próprios limites disciplinares, mas também ampliaram os limites dos próprios modelos educativos vigentes. Onde podemos encontrar esses lugares hoje? De que forma e com que ferramentas podem estes lugares ser criados? Cem anos após a fundação da Bauhaus, são avassaladoras as transformações ocorridas no mundo, e na forma como as artes, os ofícios e a arquitectura se aprendem e põem em prática. No entanto, os modelos em que o ensino académico se desenvolve sofreu poucas alterações. As experiências rapidamente se institucionalizam, e a sobrevivência facilmente se sobrepõe aos ideais que se pretendem fazer avançar.

No ensaio “Mestres da Imprevisibilidade: Academias e Educação Artística”, Stefan Hertmans reflecte sobre a posição paradoxal da educação artística contemporânea, que por um lado procura disponibilizar aos alunos percursos académicos economicamente sustentáveis, e simultaneamente sucumbe às pressões da indústria cultural. 

Allan Sekula, por sua vez, afirma que “A escola é uma fábrica”, associando o sistema educativo a uma forma de produção industrial capitalizada, onde o artista, o professor e a instituição desempenham papéis normativos, estagnados, de forma acrítica. ‘A arquitectura declarou’, recentemente, a necessidade de uma mudança curricular, confrontando aberta e internacionalmente a estagnação dos currículos e das metodologias de ensino. Através de uma carta aberta à comunidade arquitectónica, o grupo de estudantes afirma: “A nossa educação tem um papel fundamental a desempenhar na abordagem da crise ecológica em curso. A nossa geração encontrará desafios sociais, políticos e ecológicos sem precedentes, e todos nós precisamos de responder com a urgência que essas circunstâncias exigem.”

Terá o distanciamento do acto de fazer e do contacto com a matéria provocado este desfasamento entre percurso académico e as suas motivações finais? Onde e de que forma se poderá estruturar a educação no século XXI? De que forma poderá questionar e dar resposta aos novos desafios globais que se apresentam?

No livro “Pedagogia do Oprimido”, publicado em 1968, Paulo Freire escreve: “O conhecimento emerge apenas através da invenção e da reinvenção, através da inquietante, impaciente, contínua e esperançosa investigação, seres humanos perseguidos no mundo, com o mundo e uns com os outros.” Terá a academia a capacidade de se inventar e reinventar? De que forma poderão as instituições de ensino acompanhar as mudanças sociais e tecnológicas em curso? Será ainda possível? Será necessário?”

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